sexta-feira, 23 de setembro de 2011

CONVÉM RELEMBRAR A HISTÓRIA 2

Alemanha   "rainha das dívidas"
Convém relembrar a História - Quem pagou os estragos do Hitler?




 O   historiador Albrecht Ritschl evoca hoje em entrevista ao site de Der Spiegel vários momentos na História   do século XX em que a Alemanha equilibrou as suas contas à custa de generosas   injecções de capital norte-americano ou do cancelamento de dívidas   astronómicas, suportadas por grandes e pequenos países   credores.
Ritschl   começa por lembrar que a República de Weimar viveu entre 1924 e 1929 a pagar   com empréstimos norte-americanos as reparações de guerra a que ficara   condenada pelo Tratado de Versalhes, após a derrota sofrida na Primeira Grande   Guerra. Como a crise de 1931, decorrente do crash bolsista de 1929, impediu o   pagamento desses empréstimos, foram os EUA a arcar com os custos das   reparações.
A Guerra Fria cancela a dívida   alemã
Depois   da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem   exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o foram em   Versalhes. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação   alemã. E, lembra Ritschl, isso significou que os trabalhadores escravizados   pelo nazismo não foram compensados e que a maioria dos países europeus se viu   obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação   alemã.
No caso da Grécia, essa renúncia foi imposta por uma sangrenta   guerra civil, ganha pelas forças pró-ocidentais já no contexto da Guerra Fria.   Por muito que a Alemanha de Konrad Adenauer e Ludwig Ehrard tivesse recusado   pagar indemnizações à Grécia, teria sempre à perna a reivindicação desse   pagamento se não fosse por a esquerda grega ficar silenciada na sequência da   guerra civil.
À pergunta do entrevistador, pressupondo a importância da   primeira ajuda à Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, e da segunda,   em valor semelhante, contrapõe Ritschl a perspectiva histórica: essas somas   são peanuts ao lado do   incumprimento alemão dos anos 30, apenas comparável aos custos que teve para   os EUA a crise do subprime em   2008. A gravidade da crise grega, acrescenta o especialista em História   económica, não reside tanto no volume da ajuda requerida pelo pequeno país,   como no risco de contágio a outros países europeus.
Tiram-nos tudo -   "até a camisa"
Ritschl   lembra também que em 1953 os próprios EUA cancelaram uma parte substancial da   dívida alemã - um haircut,   segundo a moderna expressão, que reduziu a abundante cabeleira "afro" da   potência devedora a uma reluzente careca. E o resultado paradoxal foi exonerar   a Alemanha dos custos da guerra que tinha causado, e deixá-los aos países   vítimas da ocupação.
E, finalmente, também em 1990 a Alemanha passou um   calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal   acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela   guerra. É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia   música de um futuro distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. E   tinha chegado.
Ritschl conclui aconselhando os bancos alemães credores   da Grécia a moderarem a sua sofreguidão cobradora, não só porque a Alemanha   vive de exportações e uma crise contagiosa a arrastaria igualmente para a   ruína, mas também porque o calote da Segunda Guerra Mundial, afirma, vive na   memória colectiva do povo grego. Uma atitude de cobrança implacável das   dívidas actuais não deixaria, segundo o historiador, de reanimar em retaliação   as velhas reivindicações congeladas, da Grécia e doutros países e, nesse caso,   "despojar-nos-ão de tudo, até da camisa".

Texto recolhido da Internet.

Sem comentários:

Enviar um comentário